Criminalização da LGBTQI+fobia no Brasil pós-democrático

possíveis discussões a partir da crítica criminológica

Autores

  • Profa. Dra. Luciana Costa Fernandes Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Palavras-chave:

Cisheteronormatividade, Interseccionalidade, Ativismo judicial

Resumo

Em 2019, o STF reconheceu a LGBTQI+fobia como equivalente ao racismo para fins penais (Lei 7.716/89), diante da omissão do Congresso em legislar sobre o tema. Embora represente avanço normativo, essa decisão simboliza mais do que mera punição: visibiliza tensões entre o querer normativo penal e a persistência de violências estruturais contra identidades dissidentes. A partir de enfoques da criminologia queer e racial, questiona‑se se o direito penal pode, de fato, transformar cissexismo‑heteronormatividade ou se apenas reforça desigualdades existentes. Ademais, a eficácia real da criminalização se mostra limitada quando se mantém a baixa aplicação, a seletividade e a falta de políticas públicas que atuem sobre as raízes dessas opressões.

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Biografia do Autor

Profa. Dra. Luciana Costa Fernandes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Doutoranda em Direito pela PUC-Rio. Mestra em Direito Penal pela UERJ. Professora substituta de Criminologia, Direito Penal e Processo Penal da UFRJ. Membra associada da “Elas Existem - mulheres encarceradas”. Advogada.

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Publicado

09-09-2019

Como Citar

FERNANDES, Luciana Costa. Criminalização da LGBTQI+fobia no Brasil pós-democrático: possíveis discussões a partir da crítica criminológica. Boletim IBCCRIM, São Paulo, v. 27, n. 322, p. 27–29, 2019. Disponível em: https://www.publicacoes.ibccrim.org.br/index.php/boletim_1993/article/view/2376. Acesso em: 18 abr. 2026.

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