Da nuvem à corte
o julgamento constitucional da prova penal invisível
DOI:
https://doi.org/10.5281/zenodo.17058310Palavras-chave:
Vigilância digital, Eficiência investigativa, Autodeterminação informacional, Garantias fundamentais, Segurança jurídicaResumo
O artigo examina a constitucionalidade da chamada prova penal invisível, caracterizada pela obtenção compulsória e velada de dados em nuvem mediante backup forçado. A pesquisa demonstra que tais práticas, embora justificadas sob a ótica da eficiência investigativa, colidem frontalmente com garantias constitucionais como a reserva legal, a vedação à autoincriminação e a proteção de dados pessoais. Defende- -se que sua legitimidade somente seria possível mediante consentimento do titular, delimitação temporal rigorosa e vinculação a crimes específicos. Conclui-se que, no formato atual, trata-se de prática inconstitucional e incompatível com o Estado Democrático de Direito.
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